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Cientistas alertam que o aumento do consumo de alimentos ultra processados está a ameaçar a saúde pública mundial

Atualizado: 16 de mai.

Gráfico de rede mostrando várias empresas com círculos de tamanhos variados interconectados. Nomes como Unilever, Nestlé, e PepsiCo em destaque.
Rede global de influência política dos grupos de interesse empresariais da indústria alimentar ultra processada. Os círculos maiores correspondem às empresas mais influentes

As empresas que dominam o mercado global, como a Coca-Cola, Danone, Nestlé, PepsiCo e Unilever, produzem alimentos mais baratos, ricos em aditivos químicos, açúcares, gorduras e sal para reduzir os custos, apostando num marketing agressivo e em táticas políticas para bloquear regulamentações nacionais

 

VIRGÍLIO AZEVEDO

 


Nos últimos 30 anos, a contribuição energética dos produtos ultra processados para o total de compras de alimentos das famílias passou de 11% para 32% em Espanha, de 4% para 10% na China e de 10% para 23% no Brasil e no México, revela um estudo feito por 43 especialistas internacionais , publicado na revista científica britânica “The Lancet” (ver em https://www.thelancet.com/).

Nos países desenvolvidos, a percentagem destes alimentos na dieta está abaixo dos 25% em países do Sul da Europa como Portugal, Itália, Grécia e Chipre, bem como em países da Ásia como a Coreia do Sul e Taiwan, mas ultrapassa os 40% na Austrália e Canadá e os 50% no Reino Unido e EUA.


Obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes, depressões e mortes prematuras

“Alimentos ultra processados e saúde humana: a tese principal e as evidências”, é o título deste estudo publicado em três artigos da “The Lancet”, que destaca associações significativas entre o consumo destes alimentos e problemas de saúde como a obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes, depressões e morte prematuras. Um comunicado da revista defende que devem ser tomadas medidas políticas imediatas de saúde pública em todo o Mundo para reduzir a produção e o consumo destes alimentos e melhorar a dieta da população, promovendo o acesso a alimentos saudáveis e de baixo preço, porque a inversão desta tendência não pode depender apenas da mudança de comportamento dos consumidores. Assim, exige a aplicação de políticas nacionais para reduzir a produção, o marketing, o consumo e o elevado teor de aditivos químicos, gorduras, açúcares e sal da comida ultraprocessada. E para responsabilizar os grandes fabricantes como a Coca-Cola, Danone, Nestlé, PepsiCo ou Unilever pelo seu envolvimento na promoção de dietas que afetam a saúde da população.

O editorial da revista “The Lancet” sobre este estudo internacional destaca que “os alimentos ultra processados são agressivamente comercializados e concebidos para serem hiper palatáveis, impulsionando o consumo repetido e substituindo, muitas vezes, alimentos tradicionais ricos em nutrientes”. Por outro lado, não é só a saúde humana que é atingida, mas também a saúde do Planeta, porque “a produção industrial, o processamento e o transporte destes produtos depende intensivamente de combustíveis fósseis, e as embalagens plásticas são omnipresentes nos alimentos ultra processados”.   


Facilitar o acesso a alimentos frescos e saudáveis através do sistema fiscal

Os 43 autores dos artigos científicos, incluindo sete brasileiros, como Carlos Augusto Monteiro, da Universidade de São Paulo (ver em https://youtu.be/6U4q82Sb7Do) defendem, em particular, restrições de marketing mais rigorosas, em especial na publicidade destinada a crianças e nos meios digitais, e a proibição destes alimentos em escolas, hospitais e outras instituições públicas, bem como a imposição de limites às vendas e ao espaço ocupado por estes produtos nos supermercados. Por outro lado, as políticas públicas para facilitar o acesso a alimentos frescos e saudáveis poderia ser baseada no sistema fiscal, com o aumento da tributação dos produtos ultra processados e a canalização das receitas fiscais para promover o acesso das famílias mais pobres a alimentos saudáveis. 

As políticas públicas são muito importantes porque os grandes fabricantes usam diversos estratagemas para continuarem a aumentar os seus lucros, bloqueando regulamentações nacionais nos tribunais, influenciando os debates científicos e a opinião pública e fazendo “lobby” junto dos decisores políticos (ver infografia no início deste texto). Tudo porque os alimentos ultraprocessados são os mais lucrativos do mercado mundial.

3 comentários

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Carla Magic Moments
Carla Magic Moments
25 de nov. de 2025
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Exemplo desta "aberração" publicitária, foi, há uns meses atrás durante uma visita aos campos de futebol infanto-juvenis do Benfica, ver placards e lonas publicitárias da Nutella!!! É incongruente como é que se está a promover a saúde e o bem estar dos mais jovens através da prática desportiva, e em simultâneo os incentiva a consumir produtos processados e açucarados, prejudiciais à sua saúde!

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nuno.magicmoments
23 de nov. de 2025
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Excelente e IMPORTANTE artigo.

Aponta o problema, as causas e a Solução!


- Nota: Podendo e Devendo ser a Alimentação um Acto de Consciência em prol do nosso Bem Estar e Desenvolvimento Pessoal é evidente que a oferta e a Escolha de Produtos processados deveria ser CONTROLADA E mesmo PROIBIDA. Alimento É TUDO o que nos Nutre verdadeiraMENTE, ao invés de produtos de calorias vazias e tóxicas.

  • As Crianças são o Futuro e como Estão elas a ser preparadas ("Cozinhadas") ?


A Grande Reflexão, que foi bem abordado no artigo é o problema do Big Lobby. O vídeo em partilha é Documentário Espelho desta questão do Lobby e deste Artigo: Problema - Solução


"Quem manda no mundo? - Monopólio -…



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Sérgio Pereira
Sérgio Pereira
21 de nov. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

É realmente preocupante e torna-se necessário combater esse flagelo de diversas formas, nomeadamente educando os consumidores. Coincidentemente, publiquei um artigo acerca deste assunto, no Boletim Vida Sã - Inverno 2025, que estará disponível dentro de dias.

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