Sofia Varatojo e o festival Blissfest 2025: “As pessoas procuram cada vez mais o bem-estar na sua forma integral, do corpo, mente e espírito”
- Virgílio Azevedo
- 20 de jun.
- 5 min de leitura
Atualizado: 23 de jun.

“Body, Mind & Soul” (Corpo, Mente & Espírito) é o tema do Blissfest 2025, o festival de bem-estar e desenvolvimento pessoal fundado por Sofia Varatojo, que se realiza pela segunda vez no Sesimbra Natura Park, perto de Lisboa, a 28 e 29 de junho. Como sublinha a organização do evento, “é uma experiência imersiva para transformar a nossa vida”, são dois dias “para nos dedicarmos a alimentar a mente, nutrir o corpo e elevar o espírito”, num local “de profunda Natureza para cuidarmos da nossa natureza interior, com atividades que nos vão deixar mais em paz connosco e em plenitude com o Mundo”. Com efeito, o programa inclui Yoga, Bhakty e Nidra (Isa Guitana), banhos gelados e Método Wim Hof (Ricardo Pinhão), coaching e desenvolvimento humano (Jorge Coutinho), espiritualidade (Luís Martins Simões), breathworking e glasswalking (Kalid), dança (Kwenda Lima e Carina Russo), Yoga (Manu), Astrologia (Nuno Michaels), Pilates (Leonardo Toledo), ecstatic dance (Momo), Constelações Sistémicas (Maria Gorjão Henriques), podcast ao vivo e saúde mental (António Raminhos), breathwork (Luna), concerto (Tainá), podcast (Luís Filipe Borges e Marco Horácio), Calistenia (Marco Moutinho e Kiko Cabrita), Yoga suspenso e massagem ayurvédica (Sofia Jorge), Acro Yoga (Lua e Pedro), Sound Healing (António Ruival), movimento consciente (Sónia Ferreira), Permacultura (Sílvia Floresta), conexão e movimento (Maria Fonseca), alimentação saudável (Ana Galvão, Geninha Varatojo e Eunice Van Uden), Herbalismo (Fernanda Botelho), Self-care (Inês Fonseca), longevidade (Lourenço Azevedo), human design (Marzia Carré), Medicina do Desporto (Bernardo Pessoa), mandalas (Cláudia Pereira), Movement Lisboa (Tiago e Ângelo) e defesa pessoal (M.O.V.A./Inês Rodrigues). Ver mais informações em https://www.blissfest.pt/
2025 é o segundo ano em que se realiza o Blissfest. Como surgiu a ideia deste festival e qual é o seu principal objetivo?
Esta ideia surgiu da vontade de voltar a juntar as pessoas do antigo festival Zimp (organizado pelo Instituto Macrobiótico de Portugal). No fundo o Blissfest é uma nova versão do Zimp, que parou quando veio a pandemia. E em 2024 eu decidi que era importante voltar a juntar a comunidade, fazer algo que gostasse e com o qual me identificasse, trazendo também um bocadinho do legado do meu pai (Francisco Varatojo). Mas achei que era necessário ter uma versão diferente do festival, não voltar a ser o Zimp, ser algo também à minha imagem, ligado àquilo que eu acredito e que são os meus valores. E transformei o festival num evento de dois dias, em vez do formato de férias do Zimp, que na verdade era um sucesso, funcionava muito bem. Mas senti a necessidade de fazer algo de diferente e de organizar um festival mais perto de Lisboa. Por isso, acontece em Sesimbra, o que também torna mais fácil a deslocação das pessoas.
Porque escolheste o Sesimbra Natura Park para a realização do festival?
Acima de tudo porque tem Natureza. Isso era uma das caraterísticas principais que eu queria, um espaço mesmo ligado à Natureza. O Sesimbra Natura Park surgiu depois de visitas que fiz a alguns espaços. Falaram-me neste local, visitei-o e foi mesmo amor à primeira vista, consegui imaginar ali o festival a acontecer. E depois juntou-se o útil ao agradável, o facto de ser muito central, apenas a 30 minutos de Lisboa, e a presença da Natureza, da biodiversidade, bem como a forma como os responsáveis do Sesimbra Natura Park cuidam de todo o espaço.
Este ano há mais facilitadores do que no Blissfest 2024 e uma grande diversidade de temas. Há hoje em Portugal uma oferta apreciável de terapias e práticas alternativas?Sim. Estamos numa fase em que é importante dar voz às pessoas que andam há muito tempo a falar destes temas e que têm um trabalho muito consistente porque, como em todas as áreas, há muitas pessoas a dar consultas e a dar aulas. Acabam por ser os mesmos, porque Portugal é um país pequeno, mas é ótimo em termos de divulgação. No entanto, a ideia do Blissfest é mesmo ser uma plataforma daquilo que, na minha visão, se faz bem em Portugal nestas áreas. Daí a curadoria ser algo para mim tão importante. Quis trazer pessoas em cujo trabalho eu acredito e temas um pouco diferentes e complementares aos outros, como por exemplo, a Medicina do Desporto. Mas sempre com a mesma visão, o mesmo objetivo e o mesmo espírito.
Isto significa que os especialistas mais importantes nestas áreas estarão no Blissfest 2025?
Não estão todos, obviamente, porque tenho de guardar alguns para os próximos anos (risos). Aliás já tenho nomes confirmados para a edição de 2026, que em princípio será no mesmo local. Mas sem dúvida que alguns dos mais importantes vão estar no Blissfest 2025.

A primeira edição do Blissfest realizou-se em 2024 no Sesimbra Natura Park, perto de Lisboa
Achas que a adesão do público em geral a este tipo de eventos está a crescer em Portugal?
Acho, sinto mesmo que está a crescer e que as pessoas procuram cada vez mais o bem-estar na sua forma integral, isto é, do corpo, mente e espírito. Há mais interesse, há muitos eventos a acontecer em Portugal, mas o Blissfest já está a crescer, nota-se bem a curiosidade e o interesse das pessoas. Eventos só sobre o bem-estar não há assim tantos, mas todos eles têm as suas particularidades. É o caso do Festival de Bem-Estar (Feira Alternativa), que se realiza no Parque de Jogos 1º de Maio, em Lisboa, que tem série de facilitadores e os mesmos temas, embora numa onda diferente. É também o caso do Festival da Terra em Alcobaça, também dentro dos mesmos temas, do Wanderlust no Porto, muito focado no Yoga e na meditação (embora também tenha música), ou do Encontro de Alternativas em Sintra. Não há nada igual ao Blissfest, mas há obviamente eventos semelhantes.
Que impacto podem ter este tipo de iniciativas no público em geral, numa altura em que há uma grande instabilidade na Europa e no Mundo no clima, na economia, na evolução tecnológica, nas relações sociais ou na política? E ainda por cima com a emergência de novas guerras? Uma das coisas que quero mesmo trazer com o Blissfest é o sentido de comunidade e de juntar as pessoas, de tornar as conexões mais reais. Claro que isso não se faz em dois dias! E quero trazer do Zimp a sensação de que todos os anos havia um grupo de pessoas que se juntavam, que criavam laços, que faziam amigos para a vida. Acho que é muito importante criar este tipo de encontros nesta fase em que estamos cada vez mais desligados e numa vida muito acelerada. O Blissfest é uma paragem, uma ligação com a Natureza, relativamente à qual estamos cada vez mais desconectados, e também uma ligação uns com os outros, que é sem dúvida um dos pilares do festival.
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