Parte 2 - A Macrobiótica é essencial, mas não suficiente para criar a paz no Mundo
- Virgílio Azevedo
- 5 de jan.
- 4 min de leitura
Reflexões e Meditações sobre a Criação da Paz Mundial

PHIYA KUSHI
Publicado a 28 de dezembro de 2025 em https://phiya.substack.com/
Introdução
A prática da Macrobiótica centra-se na nossa relação com a Natureza e o Universo, prestando atenção ao que comemos e adaptando-nos ao ambiente em constante mudança. O objetivo é encontrarmos a paz interior, a calma e a felicidade em todas as circunstâncias. A conquista da paz mundial ou paz exterior, por outro lado, depende da nossa capacidade de nos relacionarmos e compreendermos os nossos semelhantes: os nossos familiares, os nossos amigos, as nossas comunidades e o mundo em geral. Isto implica examinar, compreender e, idealmente, dominar a forma como comunicamos e nos relacionamos uns com os outros, de modo a criar interações que promovam uma paz e felicidade sustentáveis entre todos nós.
Deve ficar claro que a paz interior e a paz exterior são distintas, mas não separadas. A paz interior só pode ser alcançada concentrando-nos no nosso próprio desenvolvimento pessoal e na nossa capacidade de mudar e adaptar-nos a todas as situações que enfrentamos na vida. A paz exterior entre os indivíduos e a sociedade não pode ser alcançada sem um nível sustentável de paz interior, presente de forma consistente entre as partes envolvidas em qualquer momento. Desta forma, as duas estão intrinsecamente ligadas.
Por outras palavras, a paz exterior, ou paz mundial, é uma função do quão bem estabelecida está a paz interior entre os membros individuais da sociedade e do Mundo. Desta forma, a macrobiótica é essencial, mas não suficiente para criar a paz mundial.
O Formato da Educação Macrobiótica
O método, o objetivo e a intenção dos ensinamentos macrobióticos eram puramente informativos e educativos, o que significa que havia pouco diálogo entre professores e alunos. As aulas (e os livros) eram, na sua maioria ou totalmente, unidirecionais e não interativas. Os professores ensinavam enquanto os alunos se sentavam e ouviam. Qualquer prática sugerida em sala de aula deveria ser feita em casa, no tempo livre de cada um.
Este tipo de ensino imitava, em grande parte, as salas de aula do liceu e da faculdade. É eficaz para transmitir informações de uma autoridade experiente a um novato, mas não se concentra em examinar como as pessoas se podem relacionar melhor umas com as outras. Para além das conversas que giravam em torno da mesa de refeições das casas e centros de estudo macrobiótico, havia pouco diálogo entre professores e alunos.
Os Treinos EST
Algures na década de 1970, os Treinos EST (Erhard Seminars Trainings), de Werner Erhard, eram oferecidos em Nova Iorque e atraíam muitos estudantes de Macrobiótica da época, incluindo a minha irmã e o meu irmão mais velho. O formato estava totalmente focado na eficácia da comunicação do instrutor com os participantes do seminário. O seminário não prosseguia até que o instrutor tivesse a certeza de que todos os participantes tinham compreendido e concordado plenamente com o que estava a acontecer e com o que iria acontecer a seguir.
A troca de ideias entre ambos era uma revelação para qualquer estudante de Macrobiótica, que sentia imediatamente que, numa sala de aula, estava a ser ouvido pela primeira vez. Frases como "ser impecável com a palavra" e "entendi" tornaram-se comuns e eram o novo jargão dos graduados da EST.
Estudar Linguagem e Comunicação
Eu próprio fiz a Formação EST e, mais tarde, o Fórum, quando mudou de nome e de formato. Foi uma revelação para mim e marcou o início do meu percurso no estudo do mundo da linguagem e da comunicação humana. Convenci também os meus pais (Michio e Aveline Kushi) a participar no Fórum, na esperança de que pudessem ver o que eu vi, mas sem sucesso. Gostaram do seminário e, na verdade, foram tratados com muita consideração e delicadeza pelo instrutor por causa de quem eram, o que não ajudou em nada. Devo referir que sempre tive interesse pela linguagem e pela comunicação por alguns motivos. Um deles porque eu era muito mau nisso. Na escola, preferia Matemática e Ciências a Inglês e Literatura, e isso refletiu-se nas minhas notas, que foram bem acima de 700 em matemática e perto de 600 em inglês. O que também despertou o meu interesse foi um curso invulgar oferecido no meu ensino secundário chamado "Semiótica", que me apresentou a ideia de símbolos e como estes podem ter múltiplas interpretações em relação ao observador ou leitor.
Mais tarde, também fiz cursos com Fernando Flores, o homem que ajudou Werner Erhard a reformular a Formação EST no Fórum. Sendo professor de linguagem e comunicação, recomendou-me que estudasse o trabalho de John Searles, autor do livro "Acts of Speech", o que fiz.
Em síntese, tornou-se claro para mim que aprender a comunicar eficazmente uns com os outros era fundamental para encontrar a própria confiança e autoestima, bem como para encontrar uma certa paz na presença de outras pessoas. E, no entanto, nada disto era ensinado na escola nem na educação macrobiótica. Os problemas de comunicação entre as pessoas na Macrobiótica eram atribuídos a diferenças na dieta de cada um e só que dificilmente era suficiente para explicar o que quer que fosse, quanto mais para ser útil.
Todos temos potencial para nos tornarmos mestres da comunicação
Todos nós temos o potencial para nos tornarmos mestres da nossa capacidade de comunicarmos uns com os outros, simplesmente pelo facto de a maioria, senão todos nós, já termos falhado miseravelmente nisso em algum momento, e provavelmente, várias vezes. Isso não é culpa de ninguém. É porque nunca nos ensinaram a fazê-lo.
Eu próprio já falhei miseravelmente nisso e continuo a falhar na minha vida. Isto dá-nos uma fome e uma motivação para estudar, aprender, sermos melhores e, eventualmente, dominarmos a comunicação. É o que continua a impulsionar-me a procurar e a melhorar sempre a forma como posso comunicar melhor com os outros. É da minha exclusiva responsabilidade fazê-lo e aceitar essa responsabilidade é o primeiro passo para a dominar.
O Próximo Passo
Não tenho a resposta para criar a paz mundial, mas acredito que estudar e aprender como podemos comunicar eficazmente uns com os outros nos ajudará, pelo menos, no nosso dia a dia. Nos próximos artigos, partilharei convosco o que descobri neste campo, à medida que continuamos a refletir e a meditar sobre a criação da paz mundial.



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